silameiago
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Síria, Oriente Médio. Ano de 2050. Exatamente cinco meses após a ocorrência do evento 001. O lugar que anos atrás fora palco de uma das maiores guerras do século XXI. Agora, naquela região, tudo o que não fora tomado pelas instâncias de SCP-001-A é um infindável oceano de areia.

Um pequeno avião corta o céu. Em sua barriga, o logotipo da Fundação; não havia mais necessidade de escondê-lo. Em algum lugar no meio da areia, existe uma base subterrânea da Fundação; justamente esse é o destino da aeronave.

Sua tripulação abriga não mais do que basicamente, toda a população mundial: Três pessoas. Dois, Funcionários da Fundação. A outra, fora resgatada no caminho. Nenhum dos Funcionários utilizavam uniformes da Fundação, não havia mais quem os exigisse.

Nenhum dos três estava coberto por camadas e camadas de roupa, a blindagem do pássaro de metal já era o suficiente para protegê-los da radiação solar.

Um silêncio ensurdecedor tomava conta do local, não havia muito o que conversar, mesmo que houvesse muito a se fazer, mesmo em um mundo vazio, onde em qualquer lugar que você for, você é consumido em um infindável inferno.

No fundo do avião sem banheiros, sentado em uma janela e solitário por decisão própria, estava o recluso Dr. Rafael. Rafael de quê? Nem mesmo ele se lembra, ou se importava. Quem precisa de sobrenomes após passar pelo apocalipse? Não era sobre essa questão que ele estava pensando tão silenciosamente.

Enquanto os outros dois tripulantes mantinham o foco no trajeto da nave, Dr. Rafael se lembrava de como as coisas tinham mudado tão rapidamente, e de um jeito tão drástico.

Se lembrava de que segundos antes estava analisando alguns arquivos, assim como qualquer Funcionário de nível 3 em um dia comum, e então, começou uma correria para as partes mais Fundas da instalação.

Membros do conselho O5 explicavam o que ocorria pelo auto-falante, e forneciam instruções sobre o que fazer. Acabou que os Funcionários da instalação ficaram separados em diferentes pontos estratégicos onde não teria jeito do sol ou dos SCP-001-A os alcançarem.

Porém, dentro de alguns dias sem obedecer os métodos de contenção das diversas anomalias lá presentes, muitas delas acabaram escapando, resultando na morte de quase todos lá. Sortudo fora Dr. Rafael (se é que ele ainda possa ser chamado de doutor), pois conseguira fugir para a sala de monitoramento e se trancado lá, observando o movimento pelas imagens das câmeras de segurança.

Todos os objetos sapientes ou motores que saíram, foram desintegrados pelo sol, foi o momento em que o único sobrevivente da instalação juntou a maior quantidade de roupas, pano e tecido que pudesse e partiu em rumo a sobrevivência.

Deixando as memórias de lado, Dr. Rafael observa a superfície, onde as pobres almas presas em SCP-001-A se misturam á areia. É isso o que acontece quando a natureza resolve dar um basta, ou simplesmente se cansa. É isso o que acontece quando o dia quebra, e o dia quebrou. Quebrou de um jeito que não pode ser consertado mais.

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