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Item nº: SCP-167-PT (“Homem da Viola”)

Classe do objeto: seguro

Procedimentos Especiais de Contenção: SCP-167-PT é contido limitando-se o aumento da área urbana do sítio[█] da Fundação, que coincide com os limites urbanos da cidade brasileira de Jaboticabal, Estado de São Paulo. Apenas funcionários de segurança nível 2 ou superior estão autorizados a monitorar SCP-167-PT, embora tenha se mostrado até o momento inofensivo a moradores locais. Todos os seguranças devem passar por um check-up médico e psicológico após tentativa de contato com o objeto. Atualmente o objeto é monitorado através de 4096 câmeras escondidas em todo o perímetro urbano da cidade. O perímetro urbano da cidade foi convertido no sítio-[█] no ano de 1996, com concessão secreta da alta cúpula dos Governos Municipal, Estadual e Federal, feita a pedido da Fundação. Devido à natureza do objeto e ao sigilo mantido sobre o seu conhecimento, não foi necessário até o momento tomar medidas que interfiram no cotidiano dos moradores.

Descrição: SCP-167-PT é aparentemente um homem de meia-idade, magro, de aproximadamente 1,80m, e que carrega em suas costas uma viola decorada. SCP-167-PT é visto caminhando pelas calçadas da cidade, muito calmo e sempre ereto. O ritmo de caminhada de SCP-167-PT se mantém constante independentemente do tempo em que se mantém caminhando, e nunca é visto à noite, tendo hábitos exclusivamente diurnos. SCP-167-PT aparenta bom humor, tem um sorriso largo e quase amedrontador no rosto o tempo todo, e tem uma peculiaridade: está sempre fantasiado. As fantasias mais comuns são de marinheiro, lutador de karatê, soldado do exército ou sertanejo. Outras fantasias já foram vistas, mas são raras. SCP-167-PT nunca foi visto tocando sua viola.

A pouca quantidade de informações concretas sobre a composição de SCP-167-PT e seu nível de inteligência é devido ao fato de que todas as tentativas de interagir com SCP-167-PT falham.

As tentativas resultam em amnésia, afetando a memória de curto prazo, principalmente. Amnésia severa, danos psicológicos e cerebrais ocorrem em alguns raros casos. Sabe-se que SCP-167 tem controle temporário sobre a mente de seres humanos, consegue dobrar o espaço, move-se por vezes a uma velocidade não compreendida, e cessa à sua vontade o funcionamento de aparelhos eletrônicos. Tais fenômenos parecem ocorrer num raio de até 30 metros, e, até o momento, apenas quando se sente ameaçado.

O monitoramento de SCP-167-PT é feito desde sua descoberta no dia [█] de [█] de 1994, de maneira ininterrupta, e os registros indicam um comportamento anômalo intrigante: nunca utiliza meios de transporte ou viaja para outras cidades, mantendo-se dentro do perímetro urbano, não se afastando uma única vez.

As observações de rotina mostram que SCP-167-PT é amigável e consegue interagir com os habitantes da cidade desde que a interação se inicie por sua vontade, mantém diálogos curtos e vagos, ignora perguntas pessoais ou questionamentos complexos, e até o momento não apresentou problemas aos habitantes que demandem novos procedimentos especiais de contenção.

Demais dados sobre como SCP-167-PT foi descoberto são mantidos em documentos que só podem ser acessados por seguranças de nível 4, com autorização da Fundação. Autoridades brasileiras têm conhecimento de SCP-167-PT e colaboram para manter o sigilo sobre sua natureza frente à população.

Experimentos de observação descritos no adendo[informação ocultada], ainda inconclusivos, indicam que SCP-167-PT possa ser apenas a “viola”, que parasita um humano para mover-se e comunicar-se livremente.

Adendo SCP-167-PT-a: sete pesquisadores planejaram experimento para abordar SCP-167-PT e extrair informações detalhadas, como amostras de DNA. Além dos pesquisadores, dois seguranças de nível 4 monitoraram à distância a experiência através das câmeras e microfones de monitoramento espalhados por toda a cidade. Descobriu-se que a até 30 metros de distância, é possível cumprimentar SCP-167-PT com saudações de “Bom dia” ou “Olá”, com resposta recíproca e idêntica. Na sequência, qualquer tentativa de diálogo a essa distância é ignorada por SCP-167-PT. Todas as tentativas de interação a distâncias menores que 30 metros feitas até o momento falham, e os envolvidos apresentam amnésia, permanente na maioria dos casos.

Segue transcrição do diálogo gravado em um desse experimentos, no dia 30 de março de 1994 a partir das 9h35:

Pesquisador 1: [ocultado] portanto, ao avistarem SCP-167-PT, vão ao seu encontro e tentem falar com ele. Adotem o procedimento P31-A enviado aos senhores.
Pesquisadores 2-6: Entendido.
[ocultado]
Pesquisador 1: registro: passadas 4h35min do início deste experimento, o pesquisador 2 avistou SCP-167-PT na câmera de vigilância número 57 no cruzamento da Avenida [█] com a Rua [█]. SCP-167-PT estava vestido de marinheiro e caminhava lentamente rua abaixo. O pesquisador 2, dotado de câmera e microfone escondidos em suas vestimentas, saiu de sua base, atravessou a rua e foi em direção ao objeto, mas passou por ele sem ao menos trocar contato visual, subiu a avenida e entrou em uma loja. Ele acaba de retornar à base, vou ao local para interrogá-lo.
[gravação interrompida]
Pesquisador 1: Por que não falou com SCP-167-PT?
Pesquisador 2: Como assim? Ainda não o avistei. Desculpe por sair, fiz uma pausa e fui tomar sorvete.
Pesquisador 1: Vou mostrar a gravação.
[pausa]
Pesquisador 2: Que loucura é essa? Não lembro disso.
[ocultado]
Pesquisador 1: Vou falar com os encarregados de SCP-055. Lá acontece algo parecido. Vamos adotar P31-B por enquanto
[ocultado]

Adendo SCP-167-PT-b: Experimento feito no dia 23 de abril de 1994, utilizando câmera e microfone instalados no cruzamento da rua [informação ocultada] com a avenida [informação ocultada], local de frequente aparição do objeto. Às 17h35 SCP-167-PT é avistado, o microfone instalado em poste local é acionado. O equipamento apresentou falha no funcionamento quando o objeto ficou a 28 metros. Esse experimento foi repetido por 47 vezes num período de dois anos, refazendo a instalação e com outros tipos de equipamentos, em outros locais, mas sem êxito em nenhuma das tentativas.

Adendo SCP-167-PT-c: no dia 5 de maio de 1997, após os experimentos descritos em SCP-167-PT-b, procedimento P33-A foi autorizado pela Fundação. Tentou-se sedar SCP-167-PT atirando um dardo tranquilizante de uma distância segura. Seguranças nível 3 qualificados com treinamento de tiro a longa distância foram utilizados. Às 12h58 o objeto foi avistado na Rua [█]. Foi expedida ordem de execução do procedimento ao segurança C/24, aquele com melhor posição. Seis tiros foram executados, mas nenhum dardo atingiu SCP-167-PT. Os dardos encontrados no chão após lançamento estavam intactos. O procedimento foi repetido mais três vezes nos dias seguintes, sem sucesso.

Adendo SCP-167-PT-f: no dia [informação ocultada] SCP-167-PT foi identificado às 13h35 circulando no bairro residencial [█], de pouco movimento, vestido de marinheiro. Uma reclamação anônima chegou à polícia, feita por um morador que se sentiu incomodado com a presença do “estranho homem”. Um procedimento especial de contenção P41-A foi expedido pela Fundação, e um helicóptero com pesquisadores e seguranças de nível 4 foi enviado. Mantendo a distância de segurança, foi lançada uma rede de tramas finas de material super-resistente [█] sobre SCP-167-PT. Ao atingir a distância de segurança, a rede desapareceu no ar. SCP-167-PT não esboçou grandes mudanças de comportamento, apenas levantou a cabeça para olhar o helicóptero. Após o objeto caminhar algumas dezenas de metros, a rede reapareceu caindo sobre a rua, intacta.

Adendo SCP-167-PT-p: num experimento repetido por 46 dias no ano de [█] assim que SCP-167-PT foi avistado, foi seguido mantendo a distância de segurança de segurança, com o objetivo de encontrar sua possível residência e outras informações de natureza humana. Entre 3 a 5 minutos após o pôr-do-sol, SCP-167-PT subitamente desaparece do campo de visão dos pesquisadores e das câmeras de vigilância, independentemente do raio de observação. Vultos e interferências eletromagnéticas são registrados nas câmeras frações de segundo antes desse fenômeno.

Adendo SCP-167-PT-s: no ano de [informação ocultada], a Fundação, em conjunto à Prefeitura de Jaboticabal e os Governos Estadual e Federal, propôs a criação do Loteamento [informação ocultada], transformando uma parte da área rural em área urbana. O novo Plano Diretor foi arquivado por tempo indeterminado para que câmeras de vigilância escondidas fossem instaladas no local. Durante 5 anos, nenhuma aparição de SCP-167-PT foi registrada no local.
Liberada a aprovação do novo Plano Diretor, foram providenciados arruamento, pavimentação e infraestrutura de água e esgoto. Nenhuma anomalia foi registrada dentro do período de 6 meses.
Porém, no dia [█], 5 dias após o início da construção da fundação da primeira casa no lote 35 do novo bairro, SCP-167-PT foi filmado transitando em frente à construção. Procedimento similar foi adotado em mais dois loteamentos, e as mesmas observações foram constatadas. A partir do ocorrido nesses experimentos, decreto municipal sigiloso impede a expansão da área urbana da cidade até os limites descritos no adendo[informação ocultada], impedindo assim a fuga de SCP-167-PT do sítio-[█] para outras áreas urbanas.

Adendo SCP-167-PT-sg: A instalação de alguns outros elementos humanos, como rodovias, cercas feitas de mourões de madeira e arame, além da presença de equipamentos rurais, veículos, animais, motéis e plantações de cana-de-açúcar não parecem atrair a presença de SCP-167-PT.

Adendo SCP-167-PT-t: devido a interesses não divulgados de pesquisadores de outras filiais da Fundação em SCP-167-PT, procedimento P56-K, análogo ao descrito no Adendo SCP-167-PT-c foi adotado, mas desta vez solicitou-se a atuação de seguranças nível 4, dotados de vestimentas especiais de contenção A55-K e armados com pistolas de dardos tranquilizantes. Uso de Etorfina foi autorizado.
Após SCP-167-PT ser avistado, uma área de 5km de raio foi isolada. O segurança D/104 escondeu-se em uma esquina por onde SCP-167-PT passaria caso mantivesse seu curso pelos próximos 20min, tomando o cuidado de não manter contato visual e não portar qualquer aparelho que permitisse comunicação com o exterior.
Descrição das imagens na câmera 1056: Quando o segurança percebeu a aproximação de uma pessoa caminhando na perpendicular e a distância ficou em 3m, foi capaz de sair do esconderijo e conseguiu sacar sua arma em direção a SCP-167-PT. Frações de segundo após o movimento o segurança parou e permaneceu imóvel. O objeto manteve seu curso sem mudanças no comportamento, ignorando o segurança. Após atingir a distância de segurança de 30m, o segurança voltou a se mover, mostrando-se desorientado e cambaleante. O segurança D/104 foi interrogado, mas alegou não se lembrar de qualquer conversa ou detalhe sobre a operação que acabara de participar nas últimas 12 horas. Segue a transcrição:

Pesquisador 1: O Sr. já parece um pouco melhor. Lembra da operação [█]… de ter visto SCP-167-PT?
Segurança 1: Não… Estou confuso… Ah…
Pesquisador 1: Ele vai desmaiar.
[gravação interrompida]
Pesquisador 2: D/104 se recuperou… Mas…
Pesquisador 1: Temos de cumprir a ordem… Podemos continuar?
Pesquisador 2: Acho que sim.
Pesquisador 1: Agora, com o Sr. Qual a última coisa que lembra antes desse interrogatório?
Segurança 1: Eu estava escovando os dentes antes de ir para o trabalho. A operação é hoje… Era hoje. E…
Pesquisador 1: Sim? Mais alguma coisa?
Segurança 1: Um rosto… Está chorando… Não…
Pesquisador 1: Espere. [informação ocultada]
Pesquisador 1: Me fale sobre esse rosto que viu. Era o rosto de quem?
Segurança 1: Que rosto?
Pesquisador 1: Você comentou sobre ter visto um rosto. Era o rosto de quem?
Segurança 1: Ah sim… Parecia o rosto do objeto. Não… Espere… Ah…
[gravação interrompida]
Pesquisador 1: Chamem um médico, por favor.

Adendo SCP-167-PT-ta: O objeto estava fantasiado de lutador de karatê no momento da tentativa de contenção. Aconselha-se a não abordar SCP-167-PT de maneira violenta quando estiver com essa vestimenta.

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